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São Paulo, 02/03/2024

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    Crônicas de um Estado laico

    A ladainha laicista nas escolas e o cancelamento do aniversariante do Natal

    Fonte: Wikimedia Commons/Domínio público
    Crônicas de um Estado laico

    Não existe Natal sem Jesus e o Natal está chegando.
    Shoppings e lojas enfeitadas, luzes piscando em todo lugar. O que nos incomoda
    em meio ao Advento é o movimento cada vez mais impositivo da secularização ou
    do discurso laicista de que não se pode falar de Jesus no Natal, porque seria
    uma afronta as outras religiões e ao Estado laico, e blablablá.

    De qualquer forma, é importante deixar claro que o problema
    não é o Papai Noel – muitos desavisados, aliás, criticam o pobre velhinho como
    se fosse uma criação do sistema. Santa ignorância. O Papai Noel é fruto direto
    da influência cristã e representa São Nicolau de Mira. Nicolau foi monge no
    século 4.º e era reconhecido por sua generosidade e afinidade com crianças. É
    sabida sua preocupação com crianças carentes, não apenas sob o ponto de vista
    assistencial, mas também educacional; por isso ele é tido como padroeiro dos
    estudantes. Aliás, a própria aparência do atual Papai Noel é exatamente como
    São Nicolau é descrito: velhinho, gordinho e com longas barbas brancas.

    O problema está no fato de o Papai Noel ocupar a
    centralidade do Natal, excluindo o dono da festa e aniversariante. Nunca é
    demais lembrar que o real motivo do Natal é a comemoração do nascimento do Deus
    Filho na plenitude dos tempos, quando o Leão de Judá, o Sempiterno Filho de
    Deus, o Rei dos Reis, o Senhor dos Exércitos se esvaziou, tornando-se uma indefesa
    criança, deitada em uma manjedoura, na pobre cidade de Belém. O problema não é
    o Papai Noel – que, aliás, é fruto direto da influência cristã. O problema está
    no fato de o Papai Noel ocupar a centralidade do Natal, excluindo o dono da
    festa e aniversariante.

    As escolas são exemplo disso, públicas ou privadas. Ensinam
    as crianças a celebrar o Natal na base da troca de presentes (que em si não é
    problema, pois representa os presentes entregues ao Menino Jesus pelos reis
    magos), pinheirinho de Natal e Papai Noel, sem mencionar uma única vez que o
    motivo da festa que mobiliza a escola, a cidade e o mundo é o nascimento de
    Jesus. Isso não tem nada a ver com Estado laico, escola laica e outras
    ladainhas, mas com um fato histórico inconteste, tanto que contamos o tempo a
    partir dessa data – por que o leitor acha que estamos no ano de 2022? Eu mesmo
    perguntei à minha filha de 5 anos se lhe explicaram o motivo do Natal na
    escola, ou, no mínimo, se comentaram algo sobre Jesus. “Não, papai, na escola
    só falam do Papai Noel”. É lamentável: seja por uma imposição da secularização,
    seja pelo mantra fake do Estado laico, nossas crianças são “desensinadas” na
    escola – a palavra pode até não existir no português, mas na vida prática é
    exatamente o que acontece.

    Minha vontade é sugerir à ex-escola da minha filha (sim, já
    a tirei de lá) para adotar outro calendário, já que Jesus não pode ser
    mencionado. Mas isso daria tela azul na diretoria, pois todos os calendários
    têm origem religiosa. E agora, José? Não tem jeito; a religião é um fato
    inexorável da vida humana.

    Por outro lado, não é só de secularismo ou ladainha fake de
    Estado laico que vive o Brasil. Existem também boas iniciativas, como a União
    Nacional das Igrejas e Pastores Evangélicos (Unigrejas). A Unigrejas congrega dezenas
    de milhares de igrejas e pastores no Brasil e tem se notabilizado por uma
    postura firme contra o secularismo e a tentativa laicista de impor um modelo de
    relacionamento com o fenômeno religioso que nunca existiu no Brasil e tampouco
    encontra guarida em seu Estado constitucional. A última nota pública da
    Unigrejas, assinada por seu presidente, bispo Eduardo Bravo, tem a ver com o
    advento do Natal. É um texto cirúrgico, razão pela qual o reproduzimos na
    íntegra abaixo.

    Lembrando da igreja sem liberdade religiosa no Natal

    O advento é temporada do ano em que nós olhamos para a
    primeira vinda de Cristo, quando Ele se fez carne em forma de um bebê nascido
    em Belém. É tempo de refletirmos na história de redenção e prepararmos nosso
    coração para meditar e celebrar diariamente na salvação do Senhor. Como cantou
    a milícia dos anjos aos pastores no campo: “Glória a Deus nas maiores alturas,
    e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (Lucas 2,14). É um tempo
    de lembrar e também esperar. Lembramos do nascimento de Cristo, e esperamos o
    dia em que ele irá retornar para buscar a sua Igreja.

    Hoje, em cumprimento à grande comissão entregue por Jesus,
    “ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura”, a Igreja de Cristo
    está espalhada pelo mundo todo. Contudo, Jesus alertou que, por causa de seu
    nome, os Seus discípulos seriam perseguidos, conforme João 15,20-21:
    “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu
    senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram
    a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isto, porém, vos farão por
    causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou.”

    A verdade é que, enquanto festejamos livremente o Natal no
    Brasil, com grandes festividades em nossos lares e congregações, há muitos de
    nossos irmãos e irmãs em outras partes do mundo que não podem comemorar o
    nascimento de Cristo com a mesma abertura que temos. Na verdade, sofrem
    perseguição intensificada nesta época do ano. O portal cristão especializado
    Religion Unplugged relata que “muitos cristãos, apesar de sua fé e devoção, têm
    pouca oportunidade de celebrar o nascimento do menino Cristo, ou de ‘descansar
    à beira da desgastante estrada e ouvir os anjos cantarem’”.

    O referido portal explica que no Irã o Natal é um tempo de
    crescente controle e perseguição, em que a junção de cristãos para celebrar é
    acompanhada de violentas prisões. Na Nigéria e outros países africanos,
    invasões e massacres durante a madrugada fazem os sobreviventes agradecerem a
    cada manhã que acordam porque o Senhor os guardou para viverem outro dia. Na
    China, igrejas são vigiadas, cultos são interrompidos, bem como líderes
    eclesiásticos que são levados acabam desaparecendo.





























    A Unigrejas, portanto, faz este desafio para nós aqui no
    Brasil: celebrar o nascimento de nosso Salvador neste período de advento, sem
    esquecer dos nossos muitos irmãos e irmãs em Cristo que não desfrutam dessa
    mesma liberdade de religião e crença para comemorar o nascimento de nosso
    Salvador. Oramos para que todo consolo e encorajamento estejam sobre a Igreja
    perseguida espalhada pelo mundo neste Natal, e que muitos deles sejam feitos
    livres dessas amarras. Ao meditar sobre a primeira vinda de Cristo,
    fortalecemo-nos com a esperança de sua segunda vinda, quando todos nos
    reuniremos livremente em Sua presença para festejar a Salvação que veio por
    meio de Cristo e para dar Glórias a Deus nas maiores alturas!




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