Pais lutam na justiça para definir sexo do filho

Veja o que especialistas dizem sobre o assunto

Por Redação UNIGREJAS 08/10/2019 - 10:02 hs
Foto: Freepik

Quando um casal se separa, é comum ouvir que ambos tiveram que dividir os bens, a guarda dos filhos e outras responsabilidades, que antes eram feitas juntos. E só de existir essa ruptura, muitas crianças ficam confusas e frustradas, por não saberem lidar com a nova rotina. Agora, imagine a cabeça de uma criança ao descobrir que seus pais estão brigando para definir a sua sexualidade?

É exatamente isso que está acontecendo no Texas, Estados Unidos. De acordo com informações de sites de notícias internacionais,  Jeff Younger foi acusado de abuso infantil por sua ex-esposa por não tratar o filho James como uma menina.

Jeff disse que quando o filho está com ele, se apresenta como um garoto, porém, quando está com a mãe, diz ser uma garota.

O pai explicou que James gosta de brincadeiras consideradas de meninos, como lutar com espadas e jogar videogame.  Já a mãe, Anne Georgulas, registrou a criança no jardim de infância como uma menina com o nome "Luna". Quando ele está com a mãe, ele se veste como uma menina e até usa o banheiro feminino.

A mãe apresentou uma ordem de restrição contra o pai, proibindo-o de pegar os dois filhos na escola. Além disso, por ser pediatra, ela foi autorizada a administrar o tratamento psiquiátrico e psicológico de James e Jude. Ela levou James para ver uma conselheira, que o diagnosticou com disforia de gênero.

Mas o pai, afirma que o filho é menino: "Quando levei James para ver sua conselheira que define como menina, ele foi como menino. A conselheira colocou duas notas adesivas em cima da mesa. Uma estava com James. Uma tinha o nome falso de menina. Então ela pediu: 'qual nome você quer que seja chamado, pegue a nota'. Ele pegou James. "

O pai argumentou que James não atende aos critérios para apoiar um diagnóstico de disforia pediátrica de gênero e não deve ser permitido que ele tome esse tipo de decisão que provoca alterações para o resto da vida.

O que especialistas dizem sobre o assunto

 “Crianças pequenas não têm a capacidade de fazer escolhas sobre identidade sexual”. A afirmação é do professor universitário  Allan Josephson, que é chefe da seção de psiquiatria infantil e adolescente da Universidade de Louisville (EUA),

Em debate educacional aberto ao público realizado em Washington (EUA), Josephson comparou a capacidade intelectual e cognitiva da criança para entender e fazer escolhas em questões de identidade sexual à capacidade delas em tirar a carteira de motorista:

“Crianças não podem decidir sobre o assunto, assim como não têm a capacidade de dirigir um carro ou fazer a escolha de ir para a cama no horário”. Para ele “é o trabalho dos pais ajudar seus filhos a aprender essas coisas à medida que se desenvolvem”.

Mas como uma criança poderá fazer isso, se os pais são os mais confusos sobre o assunto?

Talvez, tamanha confusão entre os adultos se deva ao fato da propagação midiática da ideologia de gênero de forma banalizada. Além disso, músicas, filmes e telenovelas têm como público-alvo os adolescentes. Mas abordam o assunto sem a profundidade necessária, de maneira vaga e maléfica.

“Questões delicadas, como a discussão sobre gênero, veiculadas de maneira leviana prejudicam muito a formação do adolescente e podem, por exemplo, gerar conflitos psicossociais e de personalidade”, afirma a psicóloga Elaine Balbino, especialista em análise de comportamento, em entrevista ao Portal Universal.org.

Já o professor de História e Mestre em Filosofia pela USP, André Assi Barreto, acredita que esse tipo de abordagem de questões de gênero é ofensivo para as crianças. Isso “porque levanta uma discussão da qual elas não estão prontas para fazer parte. Isso porque o repertório cognitivo delas ainda não é adequado para aprender a discutir questões de gênero. Além disso, empurrar esse assunto goela abaixo pode levá-las a um problema”, conclui.