O que há de errado no termo "terrivelmente evangélico"?

Por Josinelio Muniz 06/01/2022 - 10:05 hs


Cinco meses de espera meu irmão, nem precisa dizer que é fato inédito. Além da maior votação negativa já feita, 32 contra, nenhum outro recebeu tantos votos de rejeição. Nenhum outro foi tão questionado sobre sua fé. A coisa foi tensa a ponto de milhares se mobilizarem, fazerem campanha política e de oração a favor. No fim, até torcida organizada em todo país se levantou.  


No dia, líderes evangélicos de várias partes, incluindo a primeira dama Michelle, entre outros, estavam em sala reservada pedindo a Deus intervenção.   


Foi assim que André Mendonça virou Ministro do Supremo. 

Um fato que ficará registrado na história. 


Milhares de especialistas em debate político pelo país define que, o motivo para estranha reação aconteceu devido a língua grande de Bolsonaro quando disse que o indicado seria “terrivelmente evangélico”. O presidente despertou um tipo inesperado. Por ‘A' mais ‘B', o escolhido foi um pastor. Mais evangélico que isso, impossível.  

A partir daí o drama começou.  


O sistema que amargou a indicação ignorou o curriculum de Mendonça, que diga-se de passagem é bem avantajado. Formado em Direito, advogado, pós-graduado em Direito Público pela Universidade de Brasília (UNB), mestre em estratégias anticorrupção e políticas de integridade pela Universidade de Salamanca, na Espanha, doutor em Estado de Direito e Governança Global. Além disso, é graduado em teologia. 


Foi advogado Geral da União (AGU). Exerceu também os cargos de corregedor-geral, de diretor de Patrimônio e Probidade, foi Ministro da Justiça e Segurança Pública, é professor de Direito, mestrado e doutorado, foi advogado da Petrobras, procurador de município, assessor jurídico, enfim, a lista do homem é grande. 


 

Mas, sabe como é, parece que tudo isso foi diminuído por ser também “terrivelmente evangélico”. 


Que coisa, não? Como pode o presidente falar uma coisa dessas, né? 

E, se por acaso tivesse dito que o indicado seria “terrivelmente espírita”, “terrivelmente ateu"; ou se fosse militante, “terrivelmente homossexual”, “terrivelmente feminista”, etc., o aspecto seria o mesmo aplicado no caso do terrivelmente evangélico? 


Por acaso ser “terrivelmente evangélico” é ruim? Afeta a intelectualidade? A base curricular do indivíduo deve ser útil se não for terrivelmente evangélico? É isso mesmo “mermão”? 


Não, não é sobre religiosidade, não é sobre política, não é sobre Constituição, não é: é sobre discriminação. 


Jamais um indicado foi tão estereotipado. Jamais, se viu um senado tão inquisitorial. Jamais, um candidato analisou tanto para não cair em pegadinhas nos questionamentos. Sim, tudo isso porque era “terrivelmente evangélico”.  


Afinal, quem errou? O presidente na fala, ou tais indivíduos que taxam os evangélicos como pensadores de segunda classe? 


Diante dos termos, que 2022, os evangélicos não esqueçam disso e saibam escolher seus representantes. Pois, grande parte dos que estão lá já disse claramente o que pensa.