Crivella aprova Projeto Resgate Solidário volta a Copacabana e acolhe pessoas em situação de rua

Prefeitura realizou na quinta-feira segunda operação do programa

Por Prefeitura do Rio 20/09/2019 - 12:15 hs
Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio de Janeiro realizou, na madrugada desta quinta-feira, 19 de setembro, em Copacabana, Zona Sul, a segunda operação do programa Resgate Solidário. A ação integrada foi encabeçada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), representada pelas Coordenadoria de Cuidado e Prevenção às Drogas (CPD) e Guarda Municipal, e pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH), com apoio da Superintendência da Zona Sul, Rio+Seguro, Comlurb e polícias Civil e Militar. O objetivo foi o acolhimento e encaminhamento de cidadãos que vivem em situação de rua para desintoxicação e tratamento contra a dependência química. O Rio é a primeira cidade do país a adotar medidas desse tipo de acolhimento, respaldado pela Lei 13.840, de junho de 2019, do Governo Federal, que também trata da prestação de socorro desse tipo.

Durante a operação, muitas pessoas foram abordadas pelas equipes nas ruas do bairro, em especial ao longo da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Segundo Douglas Manassés, da Coordenadoria de Cuidado e Prevenção às Drogas, vincula à Seop, foram realizados 13 atendimentos. Deste total, dois foram para o Hotel Popular da Central do Brasil, dois idosos que estavam na rua voltaram para suas casas, na Baixada Fluminense, um foi para a Central de Acolhimento da Ilha do Governador, outro foi para o Centro de Referência de Assistência Social (Creas) da Zona Sul, dois adolescentes foram para o conselho tutelar, um se voluntariou para receber tratamento e quatro não aceitaram ajuda e resolveram voltar para a rua. Durante a operação 26 pessoas passaram por verificação de antecedentes criminais, todas com anotações em suas fichas, e uma mulher, que estava na Rua Sá Ferreira, (Degmara Cândida dos Santos Sousa, 39 anos) foi presa, pois tinha um mandado em aberto por associação criminosa, furto e receptação.

“Não me reconheço mais, pareço um zumbi”

(usuária de crack, 28 anos) 

Antes mesmo de começar a operação, a equipe recebeu o pedido de ajuda de uma usuária de crack, de 34 anos. Ela pediu para se internada na esperança de se recuperar e poder voltar a conviver com seus familiares e, em especial, com seus três filhos, que são criados pelos pais e quase não veem a mãe.

– Estou numa fase que olho para o espelho e não me reconheço mais, pareço um zumbi. Mesmo quando estou sem usar, tenho muito medo das recaídas. Já fazia uso de cocaína desde os 14 anos, mas depois que fui apresentada ao crack, com 28 anos, tudo mudou – conta a mulher, que é de Teresópolis, mas já morou em Juiz de Fora, local em que usou o crack pela primeira vez, e em São Paulo, onde frequentou a famosa cracolândia. Ela foi levada para o Hotel Popular da Central do Brasil.

Segundo o secretário municipal de Ordem Pública, Paulo Amendola, as operações serão realizadas semanalmente em diferentes bairros da cidade, sempre com o objetivo de tirar as pessoas das ruas e recuperá-las.

– Esta é uma operação diferenciada, com muito cuidado durante a abordagem feita pelos especialistas, sempre com o objetivo de acolher as pessoas. Nós vamos dando o suporte para viabilizar o trabalho e garantir a segurança de todos – explica o secretário.

“As ruas ficam lotadas de usuários de drogas.

Essas pessoas precisam de tratamento”

(Sebastião Oliveira, porteiro)

A ação foi comemorada por moradores e pessoas que trabalham na região.

– Estou aqui há 30 anos como porteiro noturno e nunca vi uma operação deste tamanho. Durante a noite as ruas ficam lotadas de usuários de drogas. Há muitos casos de assaltos, principalmente aos turistas. Sem falar nas brigas entre os próprios cracudos. Sou totalmente a favor de tirar essas pessoas das ruas. Elas precisam de internação e tratamento – acredita o porteiro Sebastião Bezerra de Oliveira, 58 anos.

Moradora do bairro desde os seus 5 anos, Astéria Araújo, de 69, acredita que o ‘Resgate Solidário’ pode mudar a cara do bairro.

– São pessoas que merecem receber cuidados. Copacabana está cheia de usuários de drogas, um horror – lamenta.

A comandante da GM-Rio, inspetora Tatiana Mendes, participou da ação e comemorava cada vez que um pessoa em situação de rua aceitava ajuda da equipe da Prefeitura.

– Não dá para passar ao lado destas pessoas nas calçadas e achar que nada está acontecendo. São seres humanos que não podem ser deixados de lado. Estão doentes e precisam de ajuda – afirma.

O motoboy Sérgio Almeida dos Santos, 38 anos, diz que o programa é fundamental, e torce para que seja bem-sucedido.

– Percebemos claramente que são pessoas que não estão em seu estado normal, mas sob efeitos de drogas ou álcool.

Executado por equipe multidisciplinar, o programa segue o Decreto 46.314, do prefeito Marcelo Crivella, que regula internações voluntárias e involuntárias no município e prescreve medidas para a reinserção social das pessoas em situação de rua.