“Para que sejam um, como nós somos um”

Coordenador da Unigrejas conta o que levou à criação da associação que já beneficia mais de 30 mil lideranças evangélicas no Brasil e no Exterior

01/05/2019 - 11:19 hs

“Para que sejam um, como nós somos um”

João 17.22 

 As primeiras lembranças do Bispo Eduardo Bravo sobre o aprendizado cristão remetem à infância na década de 1970, quando frequentava a Escola Bíblica Dominical na Igreja Metodista no bairro de Santana, Zona Norte paulistana. Já adolescente, começou a participar dos cultos da Igreja Universal do Reino de Deus. 

 

O caminho na Universal continuou e ele, cativado pela prática da fé inteligente, encontrou sua vocação, tornando- se um de seus mais jovens pastores já aos 18 anos. Aos 20, o chamado de Deus o levou à Europa e à África. Em outubro de 2017, recebeu a especial missão de, retornando ao Brasil, iniciar um trabalho voltado para a excelência do trabalho da igreja evangélica em nosso País. É sobre esse trabalho que ele fala em entrevista à Revista Renovação: 

 

Como surgiu a ideia da Unigrejas? 

 

Observando a situação da igreja evangélica no Brasil, notou-se que o número de evangélicos cresceu significativamente nos últimos anos, mas os efeitos desse crescimento ainda não são notados com a mesma significância no que diz respeito à qualidade que esse crescimento deveria provocar na sociedade como um todo. Os problemas não diminuíram. Foi pensando nisso que surgiu a ideia da Unigrejas. 

 

Então o objetivo é transformar quantidade em qualidade? 

 

Exatamente. Não queremos só 60 milhões de evangélicos no Brasil. Queremos 60, 80, 100 milhões de convertidos, pessoas nascidas de Deus, lavadas pelo sangue de Jesus, regeneradas pela Palavra. 

 

Temos trabalhado com a fé inteligente, aquela que leva à conversão verdadeira, à Salvação, com fundamento na Bíblia. Diminuímos a emoção e aumentamos o uso da razão, da compreensão da Palavra, que deve ser pregada com clareza e com poder, trazendo efetivamente a mudança de comportamento àqueles que se entregam à fé. 

 

Como começaram os trabalhos ainda em 2017? 

 

Para começar, promovemos oito passeios teológicos no Jardim Bíblico, nos quais compareceram cerca de 1.000 pastores de várias denominações de São Paulo. Neles, fizemos os convites para os Congressos Renovação, reuniões nas quais oramos e falamos sobre como melhorar a qualidade espiritual das igrejas, das vidas de seus membros. A aceitação foi muito boa. A partir de então, tomou forma, oficialmente, a associação que hoje chamamos Unigrejas. Em cerca de um ano e meio de trabalhos já reunimos mais de 30 mil pastores de todo o Brasil.  

 

“E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.” (I Co 12:5)

 

Como as igrejas são ajudadas na prática? Com que tipo de auxílio contam? 

 

Estamos construindo uma estrutura para dar aos pastores cobertura em todos os campos possíveis. Haverá auxílio espiritual e psicológico, pois muitos precisam de apoio moral, orientação familiar, combate à depressão, pois presenciamos atualmente um número preocupante de suicídios entre pastores. Oferecemos ainda orientação jurídica, contábil, administrativa e sobre o estabelecimento oficial de igrejas conforme a lei. 

 

E não fica só nisso. Eles também terão apoio no que diz respeito à arquitetura e engenharia civil, uma assessoria que os orientará sobre construir uma igreja conforme as normas legais de segurança, as dimensões necessárias a determinado número de fiéis, que tipo de instalações precisarão de acordo com suas atividades etc. 

 

Além disso, promoveremos estudos bíblicos, eventos de extensão, como cursos livres de capelania e capacitação teológica, entre outros. 



Somente pastores podem participar? 

 A Unigrejas é para qualquer liderança evangélica, pastores, bispos e apóstolos, além dos oficiais das igrejas: obreiros, diáconos, presbíteros, ministros de louvor, orientadores nas escolas bíblicas dominicais, responsáveis pelos jovens, enfim, qualquer pessoa com uma função de liderança em uma igreja evangélica. 

 

A Unigrejas quer liderar os evangélicos? 

 

NÃO. A Unigrejas não pretende liderar as igrejas, nem veio para competir com nenhum conselho de pastores, nenhuma convenção interna das igrejas. Como seu nome indica, veio para unir. Qualquer pastor evangélico pode participar das atividades. Eu mesmo sempre participo de convenções de outros ministérios, dos conselhos de pastores de diversas denominações, frequentemente. A ideia não é liderar ninguém, mas cooperarmos uns com os outros, compartilhar todas as informações que pudermos em prol da melhoria da qualidade do povo evangélico. Deus não quer uniformidade, Ele quer unidade. 

 

Há muito em comum entre as denominações evangélicas, mas também não são poucas as diferenças de doutrinas e condutas. Como a Unigrejas pretende administrar isso? 

 

Cada igreja tem suas particularidades e práticas, que devem ser mantidas e respeitadas. O que a Unigrejas promove é a unidade do corpo de Cristo – Sua Igreja, como bem compara a Bíblia em I Coríntios 12.12-31 – em que cada membro tem a sua função. Não são todos iguais, mas todos cooperam para o bom funcionamento do organismo. 

 

As igrejas evangélicas devem conservar sua identidade e cooperar com a Obra de Deus. É como podemos ver no Antigo Testamento, em que suas tribos de Israel formavam o todo, mas cada uma tinha uma função específica para o bom funcionamento da nação. Umas forneciam guerreiros, outras os alimentos, as construções, os sacerdotes, e por aí afora. 

 

Há algum interesse político na iniciativa da Unigrejas? 

 

Quando começamos em 2017, alguns pastores vieram com essa pergunta, já que estávamos há cerca de um ano de eleições no Brasil. Chegavam a perguntar: “É estadual ou federal?” Mas os próprios pastores perceberam que o trabalho não está ligado à política, é sobretudo espiritual. Mas isso não quer dizer que a Unigrejas vá se omitir dos grandes debates da sociedade. Ela pode, inclusive, ser a porta-voz das igrejas menores, que não conseguem ter tanta expressão sozinhas. 

 

Trata-se de ecumenismo o que está sendo realizado? 

 

Não. Ecumenismo, num sentido mais amplo, é a união das religiões. O que a Unigrejas quer é a unidade do corpo do Senhor Jesus, a comunhão e cooperação entre as igrejas evangélicas. 

 

A Unigrejas tem algum objetivo financeiro? 

 

Não. O objetivo é servir às Igrejas, não ter lucro. Se ela pagar suas necessidades de funcionamento, já estamos felizes. Nenhuma igreja tem que pagar para fazer parte da Unigrejas, que é mantida por contribuições dos pastores, se eles quiserem e puderem, voluntariamente. Eles têm sido tão beneficiados, que contribuem, pois sabem como a iniciativa impacta positivamente. 

 

Quais os planos para daqui em diante? 

 

Há muito a ser realizado, há muito a crescer. Mas já planejamos o aluguel de uma rádio que fique à disposição das igrejas, por exemplo, além da orientação sobre o uso da mídia em geral. A própria revista Renovação, aliás, da qual estamos fazendo uso neste momento, é um resultado da Unigrejas, que visa promover a unidade. Também faremos uma grande viagem a Israel só com líderes evangélicos, e lá faremos um Congresso Renovação.

 

Havia uma imagem de a Universal ser muito “sozinha”, sempre afastada das outras igrejas. Como ocorreu, então, essa mudança? 

 

É verdade, a Universal sempre andou sozinha. Mas até já ocorria certa aproximação com outras igrejas, só que de maneira muito tímida, com visitas pontuais, informais. Quem assistiu o filme Nada a Perder (já disponível no Netflix) entende o motivo dessa decisão, na época, necessária e acertada. Mas hoje, com o amadurecimento da igreja, e depois de termos provado a todos o nosso chamado, chegou o tempo de estarmos de mãos dadas. 

 

É claramente um mover do Espírito Santo.